A dúvida transformou-se numa obsessão. Foi então que o plano nasceu. Arturo anunciou, durante 1 jantar regado a 1 vinho caríssimo do Valle de Guadalupe, que precisaria de viajar para Monterrey para 1 emergência de negócios de 3 dias. Na manhã da suposta viagem, o teatro foi montado. O motorista levou as malas de Arturo, mas ele saiu do carro 2 quarteirões depois, retornando à mansão pelos fundos. Tinha 1 destino traçado: o closet principal. No fundo, escondido atrás de casacos, havia 1 pequena sala de segurança técnica desativada há anos. Através de 1 sistema de câmaras que instalou secretamente, ele veria a verdade.
O calor subia, o suor brotava, mas ele não se moveu. Após 3 horas, Vanessa entrou no quarto. A porta fechou-se e a sua postura mudou. O rosto transformou-se numa máscara de desprezo. Ela pegou no telemóvel e ligou a alguém: “Finalmente o idiota saiu. Estou a contar os minutos para aquele altar para poder parar de fingir que suporto o cheiro de velhice desta casa.”
Nesse momento, Dona Rosa abriu a porta com as mãos a tremer, segurando 1 copo de água. Vanessa desligou o telemóvel, caminhou até à sogra e arrancou-lhe o copo, atirando a água contra o vestido da idosa. Depois, pegou numa taça de vinho tinto denso e derramou-o propositadamente sobre o tapete persa. “Olha o que fizeste, velha estúpida! Ajoelha-te e limpa agora, ou juro que o Arturo te mete num asilo antes do final da semana!” Rosa caiu de joelhos no mármore frio, a chorar. Não podia acreditar no que estava prestes a acontecer…
PARTE 2
O som dos joelhos frágeis de Dona Rosa a bater contra o chão de mármore ecoou no pequeno esconderijo de Arturo como 1 punhalada direta ao peito. A idosa, com as mãos calejadas de uma vida inteira de sacrifícios, tentava desesperadamente absorver o vinho derramado, enquanto a pele fina dos seus dedos começava a esfolar-se no tecido áspero do tapete persa. Vanessa observava a cena de cima, com os braços cruzados e 1 sorriso cruel a desenhar-se nos lábios perfeitamente pintados. O magnata, paralisado no escuro, sentia as veias do pescoço a pulsar com 1 ódio que nunca soubera ser capaz de sentir.
Foi nesse exato momento que a porta da suíte se abriu de forma abrupta. Elena, a funcionária de limpeza, entrou com 1 balde nas mãos. Parou de imediato ao ver a cena. O silêncio que se abateu sobre o quarto era tão espesso que sufocava. Arturo esperava que Elena recuasse, pedisse desculpa e fugisse, como tantos outros faziam perante o temperamento de Vanessa. Mas Elena não o fez. Os seus olhos, normalmente baixos, fixaram-se em Vanessa com uma firmeza inabalável.
“O que pensas que estás a fazer, Elena?” sibilou Vanessa, com uma autoridade venenosa. “Sai daqui. Esta velha causou 1 acidente e agora está a aprender a ter cuidado.”
Elena ignorou completamente a patroa. Caminhou a passos firmes até Dona Rosa e ajoelhou-se ao seu lado com uma suavidade comovente. “Dona Rosa, por favor, levante-se. A senhora não deve fazer isto. As suas mãos estão feridas”, disse Elena, com a voz embargada mas resoluta.
“Ela vai limpar o que sujou!” gritou Vanessa, dando 1 passo em frente, quase pisando os dedos de Elena com os seus saltos de grife.
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